quarta-feira, 5 de abril de 2017

Carnaval atrasado / Late Carnival

(Eu sei que estamos quase na Páscoa.
Eu sei que o Carnaval foi há coisa de um mês e meio.)


Não podia deixar de mostrar aqui a máscara que fiz para o meu filho mais velho e que muito me orgulho.

Quando eu era miúda, ansiava sempre pelo Carnaval. E pensava sempre que a minha mãe, com todos os dotes de costura que tinha, me iria fazer uma máscara de Carnaval. Mas o facto é que a minha mãe, muito criativa para tantas coisas, tinha pouca capacidade de imaginação para me criar fatos de Carnaval.
O que a salvou sempre de eu ficar desapontada com ela é o facto de até aos 10/11 anos eu nunca ter participado em nenhum desfile de máscaras, porque invariavelmente adoecia sempre. Era matemático! Houve mesmo anos em que eu já temia o Carnaval porque já sabia que ia ficar de cama e acabava sempre com uma visita ao médico.

Por isso, achei que um dia, quando fosse mãe ia tentar inverter esta tendência e "tradição" familiar, e faria por criar fatos de Carnaval aos meus filhos, dentro da medida das minhas capacidades.

E este foi o primeiro ano em que pus isso mesmo em prática. Na escola do meu filho mais velho decidiram que os meninos e meninas deviam ir mascarados de árabes, como forma de honrar o passado histórico da ocupação árabe na cidade.

Isto pareceu-me bastante acessível, enquanto máscara. Comecei a planear o que iria fazer, e tenho que admitir que demorei mais tempo a planear que a executar.
Fiz um turbante com cordão de algodão (tinha um rolo que trouxe de "herança" da casa da tia do meu marido) e uni em circular com recurso a lã. Uni tudo com pontos baixos em crochet.



Depois planeei o fato em si. Achei que bastaria uma túnica em tecido branco e depois faria um cinto com mais um pouco do cordão branco. E um rectângulo de pano branco para usar na cabeça, a imitar os xeiques das Arábias.

Uma colega de trabalho arranjou-me um lençol de algodão daqueles antigos, com boa espessura (até me deu pena de lhe meter a tesoura...)  e foi com isso que talhei a túnica, as mangas e o pano da cabeça.



Depois costurei a túnica e pela primeira vez preguei umas mangas e a experiência não podia ter corrido melhor!

O decote é que correu menos bem, com receio que não passasse na cabeça, acabei por fazê-lo demasiado grande. Mas depois corrigi e acabou por ser um pormenor decorativo.

O meu filho ficou tão feliz por ter um fato feito pela mãe!
E até recebi elogios da professora...

(e não, não fui eu que fiz o fato do palhaço. Costurar um fato de palhaço para o mais novo era areia demais para a minha camioneta... )

*****


(I know we are almost at Easter.
I know that Carnival has passed almost a month an a half ago.)

I couldn't avoid showing here the costume I made for my oldest son, that I am really proud of.

When I was a little kid, I always longed for the Carnival to come. And I always thought that my mother, with all her skills for sewing, would make me a Carnival costume. But the fact is that my mother, which was so creative for so many things, wasn't very imaginative in designing Carnival costumes for me.

What always saved me from disappointment is the fact that until I was 10/11 years old I never got to participate in any costume parades, because I inevitably got sick. It seemed like a curse! There were even some years that I feared Carnaval because I already knew I would be sick in bed and the subsequent visit to the doctor.

So, I always said to myself that one day, when I became a mother, I would try to reverse that tendency and break the family "tradition" and would make my kids costumes for Carnival, within my skills.

And this year for the first time I got to put that into pratice. In my boy's school they decided that all the boys and girls would have to wear arab costume, as a way to honor our historic past of arabic occupation in our city.

It seemed quite accessible to me, as a costume. I started planning what I was going to do, and I have to admit that it took me longer to plan that to execute.
I made a turbant out of cotton cord  (I had a bobin I got as a "heirdom" from my husband's aunts house) and I joined in a circle using yarn, in single crochet stitches.

Then I planned the costume itself. I thought that a simple tunic would do the trick, and use a little bit more of cord to make a belt. And also a fabric rectangle for the head cloth, kind of like the ones that Arabian Xeiqs use.
A coworker of mine got me an old cotton fabric bed sheet, those old ones quite thick (I almost felt sorry for putting the scissors in it...)  and with that I cut the pattern  pieces for the tunic, the sleeves and the head cloth.

Then I sewed the side seams of the tunic and set in my very first sleeves, and it couldn't have gone better!

The neckline wasn't so good, because I made it too big because I was afraid it wouldn't be enough for the head to pass, but I made a correction and it ended up being a decorative feature of the garment.

My son was so happy with his mother handmade costume!
And it even got me some praises from his school teacher...

(and no, I didn't make the clown costume. Sewing a clown costume was more than I can chew... )

5 comentários:

  1. Mas que giros os dois :)
    Claro que a fatiota feita pela mãe tem outro "sabor" ;)
    Parabéns Naná :)

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  2. Mas que gracinha! por momentos pensei que tivesses feito também para o mais piqueno.
    Quando é feito com amor, sai sempre bem.
    Acho que nunca me mascarei, mas tenho que perguntar à minha mãe. Mas fiz algumas fatiotas para fora.
    Parabéns e beijinho grande.

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    Respostas
    1. Pode ser que um dia destes eu seja a mãe absolutamente perfeita e consiga fazer duas fatiotas de carnaval ahahahahahahah

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